PSD lança candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República

  • 26/07/2026
(Foto: Reprodução)
PSD oficializa chapa de Caiado à Presidência O Partido Social Democrático (PSD) oficializou neste domingo (26), em convenção realizada na sede do partido em São Paulo, a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República. O presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, foi confirmado como candidato a vice. LEIA TAMBÉM: Ronaldo Caiado tenta pela 2ª vez ser presidente do Brasil, após 37 anos "Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização", afirmou Caiado no palco do evento, diante de militantes e partidários. O político prometeu, se eleito, implantar um "novo modelo de governo". "Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos. Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro", disse Caiado. 🔎 De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (24), Flávio Bolsonaro (PL) é rejeitado por 48% dos eleitores. Lula, por 46%. A rejeição de Caiado é de 12%. Lula lidera em intenções de voto Caiado vai disputar o Palácio do Planalto pela segunda vez. Nas eleições de 1989, terminou em 10º lugar, com 0,72% dos votos no primeiro turno. Em sua carreira política, foi deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Renunciou ao cargo em março para concorrer à Presidência. Gilberto Kassab e Ronando Caiado em convenção nacional do PSD em São Paulo Reprodução O ex-governador chegou à convenção com a chapa definida. Em 1º de julho, anunciou Kassab como vice e disse que o presidente do PSD participaria ativamente de um eventual governo. A escolha formou uma chapa "puro-sangue", composta apenas por integrantes da legenda. O PSD não fechou coligações até o momento. LEIA TAMBÉM: Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro e exalta feitos como governador em Goiás Ex-prefeito de São Paulo, Kassab foi ministro nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e secretário da gestão Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Em 2011, fundou o PSD, partido que tem o maior número de prefeitos do país. Apesar da chapa 100% PSD, Caiado enfrenta dificuldades para unificar o partido em estados importantes. Em São Paulo, o partido apoia a reeleição de Tarcísio, que está com Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões, do PSD, declarou apoio a Zema (Novo). No Rio de Janeiro e na Bahia, lideranças estaduais da legenda apoiam o presidente Lula. Com isso, a chapa pode ficar sem palanques próprios em alguns dos maiores colégios eleitorais do país. Antes de Caiado, Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL) já haviam sido anunciados candidatos à Presidência. Outros pré-candidatos ainda vão realizar suas convenções: Romeu Zema (Novo): segunda-feira (27), em Brasília, sem definir o vice. Lula (PT): 2 de agosto, em São Paulo, com Geraldo Alckmin de vice. A convenção é o ato em que o partido oficializa seus candidatos nas eleições. O prazo para isso vai até 5 de agosto. Depois, as candidaturas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha começa oficialmente no dia seguinte. Ronaldo Caiado é pré-candidato à Presidência pelo PSD Wilton Junior/Estadão Conteúdo Caiado venceu disputa interna do PSD Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência em abril de 2025, quando ainda estava no União Brasil. A formação da federação entre o partido e o Progressistas (PP), porém, ampliou a resistência ao projeto presidencial dentro do próprio grupo e levou o então governador a procurar outra legenda. Em janeiro de 2026, Caiado anunciou a saída do União Brasil e a filiação ao PSD, que já tinha outros dois governadores interessados na candidatura: Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Ratinho desistiu para concluir o mandato, e Caiado venceu a disputa interna com Leite. Foi escolhido pela direção do partido em 30 de março e, no dia seguinte, deixou o governo de Goiás e entregou o cargo ao então vice, Daniel Vilela, do MDB. Na pesquisa Quaest divulgada em julho, Caiado aparece em terceiro lugar, com 4% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Lula, com 40%, e Flávio Bolsonaro, com 28%. 37 anos depois, uma nova eleição presidencial Ronaldo Caiado tem 76 anos, é médico ortopedista e produtor rural. Natural de Anápolis, em Goiás, iniciou sua atuação política como um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada para representar proprietários rurais durante as discussões sobre a reforma agrária. Presidiu a organização entre 1986 e 1989. Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, disputou a Presidência pelo antigo Partido Social Democrático (PSD), legenda sem relação com o partido atual de mesmo nome. Recebeu cerca de 489 mil votos, ou 0,72% do total, e terminou em décimo lugar entre 22 candidatos. No ano seguinte, foi eleito deputado federal por Goiás com cerca de 98 mil votos, a maior votação do estado. Deixou a Câmara em 1994 para disputar pela primeira vez o governo goiano, mas terminou em terceiro lugar. O vencedor foi Maguito Vilela, do então PMDB (atual MDB). Retornou à Câmara em 1998, eleito com cerca de 100 mil votos. Depois, conquistou mais três mandatos consecutivos: recebeu aproximadamente 115 mil votos em 2002, 153 mil em 2006 e 168 mil em 2010. Ao longo dessa trajetória, passou pelo Partido Democrata Cristão (PDC) e pelo Partido Progressista Reformador (PPR) antes de se estabelecer no Partido da Frente Liberal (PFL). A legenda mudou de nome para Democratas (DEM) em 2007 e, mais tarde, fundiu-se com o Partido Social Liberal (PSL) para formar o União Brasil. Caiado permaneceu nesse grupo partidário até migrar para o atual PSD em 2026. Em 2014, deixou a Câmara e foi eleito senador por Goiás com cerca de 1,28 milhão de votos, ou 47,57% do total. Deixou o Senado na metade do mandato para assumir o governo estadual. Caiado foi eleito governador de Goiás em 2018, no primeiro turno, com aproximadamente 1,77 milhão de votos, ou 59,73%. Naquela eleição, derrotou Daniel Vilela. Quatro anos depois, o adversário virou candidato a vice na chapa de Caiado, reeleito também no primeiro turno, com 51,81% dos votos. Condenação eleitoral foi revertida Em dezembro de 2024, Caiado foi condenado na Justiça Eleitoral em primeira instância por abuso de poder político. A sentença previa a inelegibilidade por oito anos. A Justiça Eleitoral entendeu que ele havia usado o Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, para promover reuniões em apoio a Sandro Mabel, seu candidato à Prefeitura de Goiânia. Caiado negou irregularidades e recorreu. Em abril de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) derrubou por unanimidade a inelegibilidade e considerou que os episódios não tinham gravidade suficiente para caracterizar abuso de poder. O tribunal, no entanto, manteve uma multa de R$ 60 mil por conduta vedada. O PL, autor da ação, desistiu de recorrer da decisão. Anistia, combate às facções e reformas Durante a pré-campanha, Caiado afirmou que pretende promover uma anistia “ampla, geral e irrestrita” ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos demais condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado. Caiado diz que essa seria uma das primeiras medidas de seu governo e argumenta que a anistia ajudaria a “pacificar” o país. A medida, porém, não pode ser concedida unilateralmente pelo presidente: a Constituição estabelece que a anistia depende da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional. Na segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha, Caiado propõe classificar facções criminosas como organizações terroristas. Ele também já defendeu o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado na Amazônia e afirma que pretende levar para o governo federal políticas de integração policial e inteligência adotadas em Goiás. Na economia, Caiado propôs um corte imediato de 25% nos orçamentos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Segundo ele, o Estado precisa reduzir seus próprios gastos antes de cobrar novos sacrifícios da população. Também promete não aumentar impostos e reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) em um ponto percentual por ano. O ex-governador afirmou ainda que pretende encaminhar ao Congresso, no início de um eventual mandato, propostas de reformas administrativa, política e trabalhista, além de uma revisão da reforma tributária. Ele também defende uma política industrial de longo prazo, com investimentos em tecnologia, inovação e exploração de minerais estratégicos.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/26/psd-lanca-candidatura-de-ronaldo-caiado-a-presidencia-da-republica.ghtml


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