Ronaldo Caiado tenta pela 2ª vez ser presidente do Brasil, após 37 anos
26/07/2026
(Foto: Reprodução) Ronaldo Caiado durante evento em Trindade, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Ronaldo Caiado trocou de partido e venceu uma disputa que reuniu três governadores para ter a sua segunda chance de tentar a Presidência da República.
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Filiado ao PSD desde março de 2026, após deixar o União Brasil, o político tem 76 anos e é médico ortopedista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após 37 anos, volta a uma eleição presidencial.
Na disputa de 1989, que também teve Lula (PT) e foi vencida por Fernando Collor, recebeu menos de 1% dos votos. Eram 22 candidatos na primeira eleição direta após a ditadura militar.
Neste ano, foi escolhido candidato pelo PSD após Ratinho Junior, governador do Paraná, desistir da indicação, e após superar Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Caiado é descendente de uma família que migrou da Espanha para o Brasil em 1770, quando a Corte Portuguesa deu a Manoel de Sousa Cayado uma sesmaria — lotes de terras para serem cultivadas e povoadas.
A trajetória política do clã teve início em meados do século 19 e foi consolidada com Revolução de 1909, em Goiás. O avô do candidato, Totó Caiado, foi um dos principais líderes desse conflito armado que fortaleceu a influência da família na elite política regional.
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A história de Caiado na política
Caiado iniciou a carreira pública na década de 1980 como presidente da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que defendia os interesses dos produtores rurais em oposição ao Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), em 1985.
Ronaldo Caiado durante debate eleitoral na campanha de 1989
Renato dos Anjos
Após a campanha frustrada de 1989, foi eleito deputado federal no ano seguinte com a maior votação de Goiás. Deixou a Câmara em 1994 para disputar pela primeira vez o governo goiano e terminou em terceiro lugar. Retornou à Câmara em 1998 e conquistou mais três mandatos consecutivos. Em 2014, tornou-se senador pelo partido Democratas (antigo PFL).
Caiado sempre foi oposição ao PT. No Senado, votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos, em 2016, e da reforma trabalhista, em 2017, já no governo Temer (MDB), após o impechment de Dilma Rousseff.
Em 2018, deixou o mandato de senador na metade após se eleger governador de Goiás no primeiro turno. Foi reeleito em 2022, também no primeiro turno, e renunciou ao mandato em março deste ano para disputar o Palácio do Planalto.
Caiado foi candidato à Presidência pela primeira vez no antigo PSD, que não tem relação com o atual. Passou também pelo Partido Democrata Cristão (PDC) e pelo Partido Progressista Reformador (PPR) antes de se estabelecer no Partido da Frente Liberal (PFL). A legenda mudou de nome para Democratas (DEM) em 2007 e, mais tarde, fundiu-se com o Partido Social Liberal (PSL) para formar o União Brasil. Caiado permaneceu nesse grupo partidário até migrar para o atual PSD em 2026.
Em 2024, chegou a ser condenado na Justiça Eleitoral em primeira instância por abuso de poder político, após promover reuniões no Palácio das Esmeraldas, sede do governo, em apoio ao então candidato à prefeitura de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil).
A decisão previa sua inelegibilidade por oito anos e foi revertida por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás em abril de 2025.
Bandeiras políticas e propostas
Como candidato à Presidência, busca reunir o eleitorado conservador e do agronegócio. Tem como principais aliados Gilberto Kassab, presidente do partido e candidato a vice; Daniel Vilela (MDB), que foi seu vice e assumiu o governo de Goiás; e Sandro Mabel (União Brasil), prefeito de Goiânia.
Sua principal bandeira de campanha é a segurança pública. Defende a integração das polícias estaduais com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para o combate ao crime organizado e afirma que pretende ampliar a atuação conjunta das forças de segurança.
Na economia, propõe que o Brasil amplie a exploração e o processamento de minerais críticos, como as terras raras, em parceria com países como Estados Unidos e Japão.
Na área social, propõe a transição de programas assistenciais para o que chama de políticas de emancipação. "Nós não nos vangloriamos do cartão social, nós nos gloriamos daquelas pessoas que são emancipadas e passam a viver da sua própria renda", afirmou em seu primeiro discurso ainda como pré-candidato, em março.
Em declarações públicas, Caiado defendeu uma anistia "ampla, geral e irrestrita" para os condenados e investigados pelos atos golpistas de 2022 e 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.