Veja o que se sabe sobre o envolvimento do dono da ‘Choquei’ em supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão
17/04/2026
(Foto: Reprodução) Dono da página 'Choquei' vai continuar preso
O influenciador e dono da “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, preso suspeito de envolvimento em supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão é investigado por suspeita de ser o operador de mídia da organização criminosa. Na operação Narco Fluxo, a Polícia Federal também prendeu os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. Em audiência de custódia, a Justiça determinou que Raphael continua preso.
O influenciador foi preso na quarta-feira (15). Ao g1, a defesa de Raphael informou que o vínculo vem da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa e que ele não participou de qualquer esquema ilícito (veja as notas dos investigados abaixo).
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Veja o que se sabe sobre a operação que prendeu o dono da “Choquei”:
Por que Raphael é investigado pela Polícia Federal?
Qual seria o papel dele no esquema?
O que é a página “Choquei”?
Como funcionava o esquema investigado?
Quem mais foi alvo da operação?
Qual é a participação de cada um?
O que diz a defesa do influenciador?
O que é a Operação Narco Fluxo?
O que ainda falta esclarecer?
À esquerda, MC Ryan SP, apontado como líder da organização criminosa; à dir., Raphael Sousa Oliveira, dono da 'Choquei'
Reprodução/ Redes sociais
1. Por que Raphael é investigado pela Polícia Federal?
Ele é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de transações ilegais e lavagem de dinheiro que pode ter movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo a Polícia Federal. Raphael foi preso na casa onde mora, em um condomínio de luxo na capital goiana.
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2. Qual seria o papel dele no esquema?
De acordo com as investigações, o influenciador teria atuado como “operador de mídia” da organização criminosa, sendo responsável por divulgar conteúdos favoráveis aos envolvidos e ajudar na gestão de imagem do grupo.
3. O que é a página “Choquei”?
A página "Choquei", criada pelo influenciador de 31 anos, acumula mais de 27 milhões de seguidores no Instagram e já ganhou um prêmio como "melhor perfil de fofocas", em 2025. O perfil compartilha informações sobre famosos, bastidores de produções de programas de televisão e novidades do setor de entretenimento. Em anos anteriores, a página esteve entre as mais engajadas no mundo.
Em seu perfil na rede social, Raphael costuma compartilhar momentos do trabalho e de lazer, ao lado de amigos, além de viagens, inclusive internacionais, a destinos como Itália, Portugal, Grécia, Qatar e Estados Unidos.
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4. Como funcionava o esquema?
A suspeita é de que o grupo utilizava empresas, plataformas digitais, rifas e apostas ilegais para movimentar grandes quantias e ocultar a origem dos recursos, inclusive com uso de dinheiro em espécie e criptoativos.
5. Quem mais foi alvo da operação?
Além do dono da 'Choquei', a operação também prendeu outros investigados, entre eles os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, apontados como participantes do esquema. Tiago de Oliveira e José Ricardo dos Santos ligados a MC Ryan, também são investigados.
6. Qual é a participação de cada investigado?
Segundo a polícia, o cantor MC Ryan SP é o líder e beneficiário econômico da organização. Para a Justiça, ele teria utilizado empresas de produção musical e entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
Tiago de Oliveira é apontado como braço-direito de Ryan e atuava como procurador e gestor financeiro do esquema. José Ricardo dos Santos era o responsável operacional em atividades de marketing e circulação financeira para a organização criminosa.
As defesas de Tiago de Oliveira e José Ricardo dos Santos não foram localizadas até a última atualização desta reportagem.
7. O que diz a defesa do influenciador?
A defesa afirmou que ele não integra nenhuma organização criminosa e que os valores recebidos são legais, provenientes de serviços de publicidade e marketing digital, prática comum no mercado. "Raphael jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada", diz o texto da defesa.
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8. O que é a Operação Narco Fluxo?
A Operação Narco Fluxo é conduzida pela Polícia Federal e investiga um esquema de movimentações financeiras suspeitas que podem chegar a R$ 1,6 bilhão. No total, mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Federal, conteúdos divulgados na internet podem ter sido utilizados como parte do esquema, levantando suspeitas sobre a relação entre pagamentos e publicações. Ainda foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Os investigadores também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.
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9. O que ainda falta esclarecer?
A Polícia Federal ainda investiga a extensão da participação do influenciador no esquema, a origem exata dos valores movimentados e o papel detalhado de cada envolvido, incluindo a relação entre pagamentos e publicações nas redes sociais.
Nota Raphael
O advogado Pedro Paulo de Medeiros, responsável pela defesa do proprietário da página Choquei, vem a público se manifestar sobre a audiência de custódia realizada hoje.
A defesa esclarece que o investigado exerce atividade empresarial regular no ambiente digital, sendo responsável por um dos maiores perfis de redes sociais do país. Sua atuação consiste na divulgação de conteúdos e na realização de publicidade para terceiros, mediante contratação, o que configura fonte lícita de renda e prática amplamente difundida no mercado.
No caso em apuração, os valores recebidos pelo investigado estão relacionados a serviços de publicidade prestados a empresas e agentes do setor de marketing. A defesa destaca que o cliente não integra, não gerencia e não possui qualquer participação em eventuais estruturas investigadas, limitando-se a publicar conteúdos que lhe são encaminhados por equipes responsáveis pelas campanhas publicitárias.
Ressalta-se, ainda, que não há elementos que indiquem que o investigado tivesse conhecimento sobre eventual irregularidade nas atividades de terceiros. Sua atuação sempre se deu dentro dos limites de uma atividade empresarial de mídia digital, sem ingerência sobre a origem ou a finalidade dos serviços contratados.
Diante desse cenário, a defesa confia que a Justiça reconhecerá a ausência dos requisitos legais para a manutenção da custódia, permitindo que o investigado responda em liberdade. O advogado reitera o compromisso com o pleno esclarecimento dos fatos e com a colaboração com as autoridades, certo de que a situação será devidamente esclarecida no curso do processo.
MC Ryan SP
A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.
A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada.
MC Poze do Rodo
A Defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.
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Reprodução/Redes sociais
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